
Penelope purpurascens
Aracuã-de-crista
(Wagler, 1830)
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Julia Trouin
TaxonomiaClassificação biológica que posiciona esta espécie na árvore da vida, do Reino ao Género.
Ecologia e statusComo vive esta espécie: habitat, dieta, comportamento, estado populacional e papel no seu ecossistema.
OrigemSe a espécie é nativa (evoluiu aqui), endêmica (só existe aqui) ou introduzida pela atividade humana.
Nativa
TendênciaDireção da mudança no tamanho populacional: em aumento, estável, em declínio ou desconhecida.
Em declínio
Época de reproduçãoÉpoca do ano em que esta espécie tipicamente se reproduz ou floresce.
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Papel tróficoPosição na cadeia alimentar: produtor, herbívoro, carnívoro, onívoro, decomposto ou parasita.
Frutívoro
Observações recentesSe esta espécie foi registada no estado selvagem na Costa Rica nos últimos anos.
Sim
Resumo do HabitatResumo dos ecossistemas e ambientes específicos onde esta espécie é encontrada na Costa Rica. Multi-idioma
O aracuã-de-crista ocupa uma ampla variedade de habitats florestais e semi-abertos, sendo notavelmente mais plástico ecologicamente do que o mutum-do-norte (Crax rubra). Habita o dossel e subdossel de florestas tropicais úmidas e secas de terras baixas e pré-montanas, florestas secundárias em diferentes estágios de sucessão, bordas de floresta, cafezais sob sombra com densa cobertura arbórea, margens arborizadas, manguezais com árvores de bom porte e fragmentos de floresta em matrizes agrícolas. Pode persistir em fragmentos de floresta de tamanho moderado — a partir de 50 hectares — se houver suficiente conectividade de dossel e disponibilidade de árvores frutíferas. É registrado do nível do mar até 2.400 metros de altitude, embora seja mais abundante entre 0 e 1.500 metros. Na Costa Rica está presente em ambas as vertentes e em praticamente todos os ecossistemas florestais do país, sendo uma das cracídeas mais amplamente distribuídas. Tolera certa pressão de caça, embora a densidade populacional diminua marcadamente em zonas sem proteção efetiva.ComportamentoPadrões de atividade diária, movimento, uso do território, estilo de forrageamento e mudanças comportamentais sazonais. Multi-idioma
O aracuã é principalmente diurno e arborícola, com maior atividade nas primeiras horas da manhã e ao entardecer. Passa a maior parte de seu tempo ativo no dossel e subdossel a 8-30 metros de altura, movendo-se com surpreendente agilidade por galhos de diâmetro variável. Ao contrário do mutum, raramente desce ao chão exceto para beber e ocasionalmente para buscar invertebrados na serapilheira. Em grupos de 3 a 12 indivíduos percorre territórios de 40 a 100 hectares com rotas de forrageamento relativamente estáveis. Ao detectar um predador, reage com a vocalização de alarme em cascata que alerta todo o grupo e as espécies vizinhas. Em zonas sem caça — como os Parques Nacionais Corcovado e Tortuguero — é notavelmente confiante e pode ser observado a distâncias de 3 a 5 metros de uma trilha. Sua presença frequente nas bordas das trilhas turísticas o torna o cracídeo mais facilmente observável no ecoturismo da Costa Rica.Atividade SocialEstrutura social: se a espécie é solitária, vive em pares ou em colónias; hierarquia e comunicação. Multi-idioma
O aracuã vive em grupos sociais permanentes de 3 a 12 indivíduos — com média de 5 a 7 — que mantêm coesão ao longo de todo o ano. Os grupos podem ser familiares — o casal reprodutor mais juvenis de temporadas anteriores — ou não familiares, especialmente fora da temporada reprodutiva quando indivíduos de diferentes origens podem se agregar. A comunicação grupal é predominantemente vocal: chamadas de contato suaves durante o movimento entre árvores, alarmes em cascata ante predadores e vocalização de cortejo na temporada reprodutiva. Os grupos defendem territórios de forrageamento contra outros grupos da mesma espécie, especialmente em zonas de alta densidade de árvores frutíferas. O alicia mútuo (allopreening) entre membros do grupo é frequente e reforça os laços sociais. Os juvenis do grupo podem participar na vigilância do ninho e na alimentação dos filhotes como 'helpers', embora esse comportamento seja menos frequente do que no araçari-de-bico-de-fogo (Pteroglossus frantzii).Guilda AlimentarO que a espécie come, como forrageou ou caça, e o seu papel como consumidor na cadeia alimentar. Multi-idioma
Frugívoro-folívoro arborícola com suplemento insetívoro sazonal. A dieta consiste principalmente em frutos maduros do dossel de múltiplas famílias botânicas — Moraceae, Burseraceae, Myristicaceae, Meliaceae, Palmae, Urticaceae —, folhas tenras e maduras de até 30-40% da dieta durante a estação seca, flores, gemas apicais, e em menor proporção invertebrados de casca, caracóis arbóreos e ocasionalmente pequenos vertebrados. Forrageia principalmente no dossel e subdossel a 8-30 metros de altura, movendo-se entre galhos com suas patas preênseis. As folhas maduras — consumidas principalmente quando os frutos escasseiam — são processadas pela fermentação intestinal de sua microbiota específica. Não armazena alimento.Detalhes da Cadeia TróficaInterações específicas nas redes tróficas locais: presas, predadores, competidores. Multi-idioma
Consumidor primário frugívoro-folívoro e dispersor de sementes de importância ecossistêmica significativa no dossel das florestas tropicais. Consome principalmente frutos maduros do dossel (Ficus spp., Cecropia spp., Bursera spp., Tetragastris spp., Virola spp., palmeiras arbóreas), folhas tenras e maduras, flores, gemas e invertebrados de casca em menor proporção. Ao defecar sementes intactas ou escarificadas a distâncias de até 400 metros da árvore mãe, contribui ativamente para a regeneração do dossel das florestas secundárias. Seus principais predadores são o jaguar (Panthera onca) — para indivíduos adultos no chão —, a onça-parda (Puma concolor), o falcão-mato-grande (Micrastur semitorquatus), o gavião-de-Cooper (Accipiter cooperii) para juvenis em voo, a harpia (Harpia harpyja) e a jiboia (Boa constrictor) para indivíduos em repouso. Os ovos e filhotes no ninho são vulneráveis a cobras arborícolas como a corredeira-verde (Leptophis ahaetulla) e mamíferos como o macaco-esquilo-da-costa-rica (Saimiri oerstedii) e o guaxinim (Procyon lotor).Comportamento ReprodutivoEstratégias de acasalamento, exibições de cortejo, comportamento de nidificação e cuidado parental. Multi-idioma
A temporada reprodutiva na Costa Rica se estende principalmente de fevereiro a junho, coincidindo com o início da estação chuvosa e a maior disponibilidade de frutos maduros. O cortejo inclui vocalizações intensas ao amanhecer do macho a partir de poleiros proeminentes, perseguições do macho à fêmea pelo dossel durante dias e exibições de plumagem com a papada inchada e inflada que intensifica sua coloração vermelha. O ninho é uma plataforma de galhos, folhas, cipós e musgos construída no dossel a 5-25 metros de altura, geralmente na bifurcação de um galho horizontal ou na vegetação densa de um cipó. A postura consiste em 2 a 3 ovos brancos de casca um tanto rugosa. Ambos os sexos incubam, com maior participação da fêmea, durante 28 a 30 dias. Os filhotes nascem semi-precociais: com os olhos abertos e cobertos de penugem densa, podem trepar torpemente dentro de poucas horas da eclosão mas dependem de ambos os progenitores para a alimentação e termorregulação durante 3 a 4 semanas. O grupo social pode participar na vigilância do ninho. Os juvenis atingem o tamanho adulto aos 6-8 meses e a maturidade sexual aos 2-3 anos. Um casal pode tentar até duas ninhadas por temporada se a primeira fracassar.Medidas Físicas
Comprimento (cm)
75.0 - 91.0 cm
Peso (g)
1.50 kg - 2.50 kg
Longevidade
Maturidade sexualIdade em que o indivíduo se torna capaz de se reproduzir pela primeira vez.
2 - 3 Anos
GestaçãoDuração da fertilização ao nascimento (mamíferos) ou à eclosão (espécies ovíparas).
28 - 30
