Costa Rica Species
Ramphocelus passerinii
AnimaliaMaior posto na taxonomia. Agrupa toda a vida em domínios: Animalia, Plantae, Fungi, etc.IUCN LCUnião Internacional para a Conservação da Natureza — autoridade mundial sobre o risco de extinção das espécies. — Pouco Preocupante — amplamente distribuído e abundante; sem risco imediato de extinção.Em ProgressoEtapa atual deste registro no fluxo de revisão editorial. Avistamento Recente

Ramphocelus passerinii

Tiê-de-passerini

Bonaparte, 1831

Textos detalhados Multi-idioma
O tiê-de-passerini (Ramphocelus passerinii) é uma ave passeriforme de tamanho médio pertencente à família Thraupidae, amplamente reconhecida na Costa Rica pela dramática plumagem do macho. Anteriormente considerada coespecífica do tiê-de-cherrie (Ramphocelus costaricensis) sob o nome de 'tiê-de-dorso-escarlate', hoje é reconhecida como uma espécie distinta restrita à vertente caribenha da América Central, do sul do México ao oeste do Panamá. Apresenta um bico grosso e cônico, adaptado para uma dieta onívora com forte inclinação frugívora, de cor azul-acinzentada pálida na base inferior. É uma espécie altamente conspícua e gregária, que costuma mover-se em pequenos grupos barulhentos através do sub-bosque e bordas de floresta. Ao contrário das aves que confiam na camuflagem, esta espécie utiliza o intenso contraste de suas cores para a comunicação visual e a seleção sexual na densa vegetação tropical.

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Julia Trouin

TaxonomiaClassificação biológica que posiciona esta espécie na árvore da vida, do Reino ao Género.

FiloPosto abaixo do Reino. Agrupa organismos com o mesmo plano corporal fundamental (ex. Chordata = vertebrados e alguns invertebrados).Chordata
ClassePosto abaixo do Filo. Subdivide por características estruturais (ex. Mammalia, Aves, Reptilia, Insecta).Aves
OrdemPosto abaixo da Classe. Agrupa famílias relacionadas com ancestralidade comum (ex. Carnivora, Primates).Passeriformes
FamíliaPosto abaixo da Ordem. Agrupa gêneros intimamente relacionados (ex. Felidae = gatos, Canidae = cães).Thraupidae
GêneroPosto imediatamente acima da Espécie. A primeira palavra do nome científico binomial.Ramphocelus
Autoridade TaxonômicaCientista que descreveu e publicou formalmente esta espécie pela primeira vez, seguido do ano de publicação.Bonaparte, 1831
Completude da Ficha
94%
Em breve

Ecologia e statusComo vive esta espécie: habitat, dieta, comportamento, estado populacional e papel no seu ecossistema.

OrigemSe a espécie é nativa (evoluiu aqui), endêmica (só existe aqui) ou introduzida pela atividade humana.

Nativa

TendênciaDireção da mudança no tamanho populacional: em aumento, estável, em declínio ou desconhecida.

Estável

Época de reproduçãoÉpoca do ano em que esta espécie tipicamente se reproduz ou floresce.

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Papel tróficoPosição na cadeia alimentar: produtor, herbívoro, carnívoro, onívoro, decomposto ou parasita.

Frutívoro

Observações recentesSe esta espécie foi registada no estado selvagem na Costa Rica nos últimos anos.

Sim

Resumo do HabitatResumo dos ecossistemas e ambientes específicos onde esta espécie é encontrada na Costa Rica. Multi-idioma

É uma das espécies mais abundantes da vertente caribenha da Costa Rica, habitando desde o nível do mar até aproximadamente 1.200 metros de altitude. Desenvolve-se em zonas úmidas e muito úmidas tropicais, mostrando forte preferência por habitats semiabertos e perturbados. É comumente encontrada em bordas de floresta primária e secundária, matagais densos, áreas de crescimento secundário jovem, plantações de banana e cacau, jardins tropicais úmidos e clareiras com abundância de arbustos. Evita o interior profundo da floresta madura fechada, preferindo as zonas onde a luz solar direta permite o crescimento de plantas pioneiras frutíferas e trepadeiras. É uma espécie que se adaptou e se beneficiou do desmatamento parcial, desde que se mantenham arbustos e árvores frutíferas na paisagem.

ComportamentoPadrões de atividade diária, movimento, uso do território, estilo de forrageamento e mudanças comportamentais sazonais. Multi-idioma

É uma ave de hábitos diurnos muito inquieta e vivaz, quase em constante movimento. Desloca-se a saltos ágeis através de arbustos e cipós, raramente parando por mais de alguns segundos. Utiliza uma comunicação vocal persistente, emitindo constantes chamados ásperos tipo 'wac' ou 'chuck' para manter o grupo unido enquanto forrageiam. Os machos costumam pousar em poleiros altos e visíveis ao amanhecer para reivindicar o território, emitindo um canto estridente e agudo, e ocasionalmente abrem as asas ou eriçam as penas do dorso para exibir a vibrante mancha vermelha. Frequentemente associa-se de forma indireta a outras aves frugívoras grandes, visitando árvores em frutificação na companhia de saíras, gaturamos e até japus. São muito receosos no chão da floresta, mas audazes na faixa média do dossel.

Atividade SocialEstrutura social: se a espécie é solitária, vive em pares ou em colónias; hierarquia e comunicação. Multi-idioma

É uma ave altamente gregária fora do pico reprodutivo, movendo-se em bandos de 4 a 12 indivíduos que frequentemente incluem machos adultos, fêmeas e indivíduos imaturos. São agressivamente territoriais ao redor do ninho, mas sociais na busca de alimento. É muito comum observar múltiplos tiês interagindo ruidosamente nos bananais. Juntam-se livremente a bandos mistos com outros tiês e sanhaços (Thraupis spp., Ramphocelus sanguinolentus) e pica-paus quando forrageiam no dossel. Sua forte coesão grupal é mantida através de contato vocal constante e exibições visuais nervosas da mancha vermelha nos machos.

Guilda AlimentarO que a espécie come, como forrageou ou caça, e o seu papel como consumidor na cadeia alimentar. Multi-idioma

Onívoro de sub-bosque e estrato médio (Frugívoro/Insetívoro). Embora seu bico forte e cônico permita-lhe aproveitar uma ampla gama de alimentos, sua dieta principal consiste em pequenos e médios frutos carnosos, bagas e arilos, arrancando pedaços com movimentos torcidos do bico. É assíduo aos frutos de banana, mamão, embaúba e Melastomataceae. Para as proteínas animais, vasculha metodicamente a folhagem (gleaning), verificando a parte inferior das folhas e fendas nos galhos em busca de lagartas, grilos, aranhas e besouros alados. Complementa visitando bebedouros de néctar floral ou grandes flores, e come facilmente em comedouros de aves em lodges tropicais da Costa Rica.

Detalhes da Cadeia TróficaInterações específicas nas redes tróficas locais: presas, predadores, competidores. Multi-idioma

Atua principalmente como consumidor primário frugívoro e insetívoro, ocupando um nicho chave na dispersão de sementes de sucessão inicial na região caribenha. Sua dieta robusta em frutos de Cecropia (embaúba), Miconia e arbustos da família Melastomataceae garante a regeneração da floresta em áreas desmatadas, uma vez que excretam as sementes intactas. Complementam essa dieta com insetos (lagartas, besouros, aranhas) que capturam respigando nas folhas para suprir proteínas, especialmente durante a época reprodutiva para a criação dos filhotes. Pequenas rãs e lagartos ocasionalmente entram em sua dieta. São presas habituais de aves de rapina florestais como o gavião-semiplúmbeo (Leucopternis semiplumbeus) e diversas cobras (como a Spilotes pullatus) que predam os adultos, enquanto seus ninhos são atacados por pequenos mamíferos, tucanos e répteis.

Comportamento ReprodutivoEstratégias de acasalamento, exibições de cortejo, comportamento de nidificação e cuidado parental. Multi-idioma

A temporada de procriação coincide fortemente com o clima tropical caribenho, estendendo-se de março a agosto. O macho realiza um cortejo exibindo a mancha escarlate para a fêmea, levantando a cauda e apontando o bico para cima. A fêmea assume sozinha a construção de um ninho em forma de taça volumosa, estruturado com folhas largas (frequentemente bananeira), raízes finas e teias de aranha, oculto em matagais densos ou arbustos a baixa altura (geralmente de 1 a 3 metros). Põe dois ovos de cor azul-pálido a acinzentado com abundantes manchas irregulares e rabiscos marrom-escuro. A incubação dura de 12 a 14 dias e é realizada exclusivamente pela fêmea, enquanto o macho vigia a zona e ocasionalmente lhe traz alimento. Uma vez nascidos os filhotes (altriciais), ambos os progenitores se revezam afanosamente para alimentá-los com insetos ricos em proteínas e frutos pequenos. Os filhotes abandonam o ninho aos 11-12 dias, embora continuem sendo alimentados pelos pais por várias semanas mais no denso sub-bosque.

Medidas Físicas

Comprimento (cm)

15.0 - 17.0 cm

Peso (g)

28 g - 35 g

ProleNúmero típico de filhotes (nascimentos, ovos ou sementes) produzidos por um adulto em um único evento reprodutivo ou temporada de reprodução.2 - 3
Dimorfismo SexualDiferenças físicas observáveis entre machos e fêmeas da mesma espécie (tamanho, coloração, características).Sim

Longevidade

Maturidade sexualIdade em que o indivíduo se torna capaz de se reproduzir pela primeira vez.

1 Anos

GestaçãoDuração da fertilização ao nascimento (mamíferos) ou à eclosão (espécies ovíparas).

12 - 14

Longevidade EstimadaDuração esperada de vida do nascimento à morte natural em condições selvagens.
Machos5 - 10 Anos
Fêmeas5 - 10 Anos

Dimorfismo SexualDiferenças físicas em tamanho, coloração ou morfologia entre machos e fêmeas desta espécie.

Machos Multi-idioma

O macho adulto é inconfundível e espetacular: toda a sua plumagem é de um preto fosco profundo e aveludado, com exceção de uma intensa e brilhante (quase incandescente) mancha vermelho-escarlate que cobre toda a parte inferior das costas (dorso) e as coberteiras supracaudais. O bico, forte e inchado na base, é preto na mandíbula superior e prateado ou branco-azulado brilhante na grande base inchada da mandíbula inferior, servindo como contraste adicional. Os olhos são vermelho-escuro (quase granada) ou marrons, e as patas são cinza-escuro ou pretas.

Fêmeas Multi-idioma

A fêmea carece completamente do espetacular vermelho e preto do macho (dimorfismo extremo). Sua plumagem foi desenhada para a camuflagem durante a incubação. As partes superiores (cabeça, dorso, asas e cauda) são de um tom pardo-oliváceo escuro e opaco. A garganta e as partes inferiores são de cor amarelo-ocre a oliva-amarelado, sem faixas marcadas, desvanecendo-se um pouco em direção ao ventre. Ao contrário do macho, a fêmea não tem o bico basalmente prateado, sendo seu bico uniformemente enegrecido ou cinza-chifre escuro. As fêmeas de tiê-de-passerini (R. passerinii) diferenciam-se das fêmeas do parente próximo R. costaricensis por não possuírem a faixa laranja viva no peito.

Adaptações EvolutivasCaracterísticas herdadas que melhoram a sobrevivência e reprodução da espécie no seu ambiente específico. Multi-idioma

Plumagem de contraste extremo (Aposematismo visual nos machos): O preto aveludado fosco do macho absorve a luz, fazendo com que a mancha vermelho-escarlate do dorso se destaque com uma intensidade quase luminescente nas condições de luz filtrada do sub-bosque caribenho. Esta coloração serve como um forte sinal visual tanto para advertência territorial quanto para atração sexual, permitindo-lhes comunicar-se à distância na densa vegetação tropical onde os sinais acústicos podem se perder.
Mandíbula inferior reflexiva: Os machos possuem um alargamento basal na mandíbula inferior do bico de cor branco-azulado prateado que reflete a luz. Funciona em conjunto com o vermelho do dorso durante as exibições de cortejo e agressão. Ao levantar a cabeça e apontar o bico para cima, esta mancha reflete a escassa luz da floresta, operando como um 'espelho' que intimida rivais ou atrai fêmeas.
Comportamento de forrageamento gregário: Forrageiam rotineiramente em grupos barulhentos de 3 a 12 indivíduos. Esta estratégia minimiza o risco individual de predação através do estado de vigilância coletiva, permitindo-lhes explorar zonas abertas de bordas de floresta onde aves solitárias seriam mais vulneráveis aos gaviões. Além disso, ao moverem-se juntos, conseguem deslocar outras espécies concorrentes das árvores frutíferas produtivas.

Principais AmeaçasPressões documentadas que reduzem a população: perda de habitat, caça, doenças, alterações climáticas, espécies invasoras. Multi-idioma

Colisões com vidraças: Devido à sua alta densidade em zonas periurbanas da vertente caribenha e ao seu hábito de se moverem velozmente em grupos através de jardins, sofrem uma alta taxa de mortalidade por choques contra vidros reflexivos em edifícios e hotéis voltados para o ecoturismo.
Predação de ninhos: Dado que constroem ninhos em forma de taça aberta em arbustos relativamente baixos (geralmente entre 1 e 5 metros de altura), seus ovos e filhotes são altamente vulneráveis a serpentes arborícolas (como a bocaracá), tucanos (Ramphastos sulfuratus), pequenos mamíferos como quatis (Nasua narica) e gatos domésticos.

Fatos CuriososFactos surpreendentes ou notáveis que destacam o que torna esta espécie única ou ecologicamente importante. Multi-idioma

O nome comum 'Sargento' pelo qual é popularmente conhecido na Costa Rica faz alusão aos galões ou insígnias vermelhas que os sargentos militares usam em seus uniformes, em paralelismo com a vibrante mancha escarlate que contrasta com a plumagem preta fosca do dorso do macho.
Até algumas décadas atrás, esta espécie e o tiê-de-cherrie (Ramphocelus costaricensis, típico do Pacífico sul da Costa Rica) eram considerados a mesma espécie, denominada 'Scarlet-rumped Tanager'. Embora os machos de ambas sejam visualmente idênticos em campo, as fêmeas de R. costaricensis têm uma faixa peitoral laranja viva que falta nas fêmeas de R. passerinii. Hoje elas estão divididas pela Cordilheira de Talamanca e são reconhecidas como espécies distintas.