
Crax rubra
Mutum-do-norte
Linnaeus, 1758
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Julia Trouin
TaxonomiaClassificação biológica que posiciona esta espécie na árvore da vida, do Reino ao Género.
Ecologia e statusComo vive esta espécie: habitat, dieta, comportamento, estado populacional e papel no seu ecossistema.
OrigemSe a espécie é nativa (evoluiu aqui), endêmica (só existe aqui) ou introduzida pela atividade humana.
Nativa
TendênciaDireção da mudança no tamanho populacional: em aumento, estável, em declínio ou desconhecida.
Em declínio
Época de reproduçãoÉpoca do ano em que esta espécie tipicamente se reproduz ou floresce.
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Papel tróficoPosição na cadeia alimentar: produtor, herbívoro, carnívoro, onívoro, decomposto ou parasita.
Herbívoro
Observações recentesSe esta espécie foi registada no estado selvagem na Costa Rica nos últimos anos.
Sim
Resumo do HabitatResumo dos ecossistemas e ambientes específicos onde esta espécie é encontrada na Costa Rica. Multi-idioma
O mutum-do-norte habita exclusivamente o interior de florestas tropicais úmidas e muito úmidas maduras e contínuas de terras baixas e pré-montanas, entre o nível do mar e 1.500 metros de altitude. Requer grandes extensões de floresta primária ou secundária avançada com dossel fechado, alta densidade de frutos caídos no chão, solos cobertos de serapilheira profunda e árvores de grande porte para dormir e nidificar. É extremamente sensível à fragmentação e à perturbação humana: desaparece rapidamente de florestas degradadas, zonas com caça ocasional e paisagens com cobertura florestal inferior a 70%. Na Costa Rica concentra-se principalmente no Parque Nacional Corcovado, a Reserva Biológica Lomas de Barbudal, o Parque Nacional Tortuguero, a Zona Norte e as florestas contínuas do Caribe. É considerado um indicador de primeira ordem do estado de conservação das florestas de terras baixas: sua presença sinaliza floresta primária de alta integridade; sua ausência indica caça excessiva ou fragmentação crítica.ComportamentoPadrões de atividade diária, movimento, uso do território, estilo de forrageamento e mudanças comportamentais sazonais. Multi-idioma
O mutum-do-norte é principalmente terrestre e diurno, com maior atividade nas primeiras horas da manhã e ao entardecer. Passa a maior parte do dia caminhando lentamente pelo chão da floresta, raspando a serapilheira com as patas e coletando frutos, sementes e invertebrados. Quando perturbado, sua primeira resposta é caminhar rapidamente em direção à vegetação densa antes de voar — o que faz com esforço e ruidosamente — e apenas como último recurso. Os machos proclamam seu território ao amanhecer por meio do boom grave característico emitido do chão ou de galhos baixos. Os territórios podem superar 100 hectares por casal. Dorme em árvores a alturas de 5-20 metros. Em zonas sem caça — como o Parque Nacional Corcovado — torna-se notavelmente confiante e pode ser observado a distâncias de poucos metros sem mostrar alarme, o que contrasta dramaticamente com seu comportamento extremamente arisco em zonas com pressão de caça.Atividade SocialEstrutura social: se a espécie é solitária, vive em pares ou em colónias; hierarquia e comunicação. Multi-idioma
O mutum-do-norte vive principalmente em casais monogâmicos estáveis ou em pequenos grupos familiares de 3 a 6 indivíduos — o casal reprodutor mais juvenis do ano anterior. Os casais mantêm vínculos de longo prazo e são vistos juntos ao longo de todo o ano. Os machos são territoriais e defendem ativamente seu território mediante o canto boom ao amanhecer, exibições de plumagem e perseguições físicas de machos intrusos. O contato entre grupos de diferentes territórios geralmente resulta em encontros vocais e de exibição que raramente escalam para contato físico entre machos adultos. A comunicação dentro do casal inclui vocalizações suaves de contato e comportamento de alicia mútua. Fora da temporada reprodutiva, grupos de até 10 indivíduos podem se tolerar em árvores com alta produção de frutos. Em Corcovado, onde não há caça, observam-se grupos de até 8-12 indivíduos em zonas de alta concentração de frutos, o que sugere que a solidão observada em outras zonas pode ser um comportamento aprendido ante a pressão de caça.Guilda AlimentarO que a espécie come, como forrageou ou caça, e o seu papel como consumidor na cadeia alimentar. Multi-idioma
Onívoro terrestre com forte dominância frugívora-granívora. A dieta consiste principalmente em frutos caídos de grande porte — especialmente Ficus spp., palmeiras (Astrocaryum, Bactris, Iriartea), Brosimum alicastrum, Dipteryx panamensis e Manicaria saccifera —, sementes grandes, fungos terrestres, invertebrados do solo (besouros adultos e larvas, minhocas, piolhos-de-cobra, caracóis) e ocasionalmente rãs, lagartos e pequenas cobras. Forrageia principalmente raspando e removendo a serapilheira com as patas no chão da floresta. A proporção de proteína animal aumenta durante a temporada reprodutiva para satisfazer as necessidades nutricionais dos filhotes. Não armazena alimento.Detalhes da Cadeia TróficaInterações específicas nas redes tróficas locais: presas, predadores, competidores. Multi-idioma
Consumidor primário onívoro com importância ecossistêmica crítica como dispersor de sementes e perturbador do solo. Alimenta-se principalmente de frutos caídos (Ficus spp., palmeiras, Brosimum spp., Dipteryx spp.), sementes grandes, fungos, invertebrados do solo (besouros, minhocas, piolhos-de-cobra) e ocasionalmente pequenos vertebrados (rãs, lagartos, pequenas cobras). Ao defecar sementes a distâncias de até 500 metros da árvore mãe — tanto intactas quanto escarificadas pela moela — é o dispersor mais importante de sementes de várias espécies arbóreas de grande semente do dossel de florestas tropicais que não são dispersadas eficientemente por outros vertebrados. Seus principais predadores são o jaguar (Panthera onca) — o único predador regular de adultos — a onça-parda (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardus pardalis) para filhotes e juvenis, a jiboia (Boa constrictor) e a harpia (Harpia harpyja). Os ninhos são vulneráveis ao quati-de-cara-branca (Nasua narica), ao guaxinim (Procyon lotor) e a cobras como a jiboia.Comportamento ReprodutivoEstratégias de acasalamento, exibições de cortejo, comportamento de nidificação e cuidado parental. Multi-idioma
A temporada reprodutiva na Costa Rica se estende principalmente de fevereiro a junho, com o pico de eclosões entre abril e maio. O macho proclama seu território e tenta atrair a fêmea mediante o boom territorial ao amanhecer, exibições de plumagem — ereção da crista, insuflação do saco vocal, exibição do ventre branco — e perseguições ativas da fêmea durante dias ou semanas. O ninho é uma plataforma volumosa de galhos, folhas e talos construída no dossel baixo ou subdossel a 3-15 metros de altura, geralmente na bifurcação de uma árvore grande. A postura consiste invariavelmente em 2 ovos de casca rugosa de cor branca a creme. Apenas a fêmea incuba, durante 32 a 34 dias. Os filhotes nascem precociais — com os olhos abertos e cobertos de penugem densa — e podem caminhar poucas horas após eclodirem, embora dependam de ambos os progenitores para a termorregulação e a vigilância antipredatória durante as primeiras semanas. A família permanece unida por pelo menos 6 meses. Os juvenis atingem o tamanho adulto aos 6-8 meses, mas a plumagem adulta completa e a maturidade sexual aos 2-3 anos. Um casal pode se reproduzir uma ou duas vezes por ano se a primeira ninhada fracassar.Medidas Físicas
Comprimento (cm)
82.0 - 100.0 cm
Peso (g)
2.80 kg - 4.50 kg
Longevidade
Maturidade sexualIdade em que o indivíduo se torna capaz de se reproduzir pela primeira vez.
2 - 3 Anos
GestaçãoDuração da fertilização ao nascimento (mamíferos) ou à eclosão (espécies ovíparas).
32 - 34
